TREND ALERT

10:09



Enquanto Paris é o centro tradicional da costura, Londres é o centro tradicional da alfaiataria masculina.

Vamos falar dos meninos?

Não!

Mas sim de uma peça feminina que saiu dos closets deles!


Antigamente as mulheres iam para uma costureira e os homens para um alfaiate (que consiste na confecção de peças sob medidas).
Aparentemente essas tradições nunca iriam se encontrar, até que no final do século XVII, isso começa a mudar.


Ao longo da história, o vestuário masculino sempre teve um destaque maior, quando falamos de avanços tecnológicos têxteis. Quando o assunto é moda, os trajes masculinos não deixam a desejar. Além de sempre apontar a imagem do provedor, do guerreiro, do político e do religioso.


 Mas, hoje vamos tratar de como as peças masculinas transformaram e melhoraram o guarda roupa feminino. 


O conjunto calça-paletó-camisa, formal ou informal, conhecido como o terno masculino, constitui o que conhecemos como alfaiataria, que é composto por uma gama grande de variedades de paletós, calças, camisas, coletes, casacos e gravatas.



Anne Hollander em sua obra O Sexo e as Roupas lembra que a moda é um fenômeno social e que as mudanças no vestuário são mudanças sociais também. Para ela, o poder da permanência da alfaiataria mostra a autoridade, a força simbólica e emocional dos valores de perpetuação. O terno tem um caráter abstrato e apresenta uma mensagem de continuidade formal que é profundamente satisfatório no mundo contemporâneo, por isso o seu não desaparecimento e mudança em seu campo de atuação também para traje feminino e para o traje casual.


O terno esteve inicialmente relacionado ao ofício do alfaiate e à tradição da roupa feita sob medida, à qual era agregada um valor de luxo e requinte que ultrapassava o da boa aparência. 
Foi eleito como o agente apropriado da beleza, da força e da sexualidade positiva do homem urbano e por esse motivo introduziu-se a alfaiataria dentro das regras do design de moda.
Este padrão da alfaiataria moderna surgiu no Ocidente no séc. XIX após o declínio do estilo Rococó, relacionando o Iluminismo à estética neoclássica, que sugeria como padrão de virilidade a força e a clareza da democracia grega unida ao modelo simples e eficiente da tecnologia construtiva romana.
A mesma ordem estética foi repetida na arte e no design moderno e abstrato do séc. XX, após a queda do gosto romântico, vitoriano e art-nouveau.
A mudança na alfaiataria se deu na transferência do modo de fazer sob medida para o industrializado, que foi também a base da construção da roupa prêt-à-porter (roupas prontas) para ambos os sexos.



A alfaiataria, usada pela mulher, é o grande marco da história do vestuário no séc. XX. Essa extensão mostra uma trégua na relação dos papéis.
 Como roupa de mulher, o terno tailleur (traje feminino composto de casaco e saia; sinônimo de costume) carrega consigo os mesmos valores de sensualidade e poder que estão neste traje como roupa masculina. 

Clássico tailleur  da Chanel.

Coco Chanel invade o guarda-roupa do sexo oposto em busca de sua própria afirmação, principalmente no trabalho.
Foi ela a grande responsável pela introdução da calça no vestuário feminino, do vestido de tweed debruado (tecidos até então considerados masculinos) que dispensava espartilho, do chemisier simples (vestido cuja modelagem remete à camisa masculina), e do tailleur.
É importante ressaltar, que na década de 20 as tendências nasciam da rebeldia de algumas mulheres.
Foi nesta época também que apareceram vestidos com muitos botões em linha, como nos casacos masculinos e o de de gravatinhas estilo borboleta em camisas femininas.


Filme sobre a vida da Chanel, primeira estilista a trazer para suas criações o universo masculino.

Ainda nos anos 1930, uma mulher de calças podia ser presa por se passar por travesti.
Mesmo nos anos 1950, embora as calças-toureiro bem justas fossem populares como roupa informal, seu uso não era considerado aceitável no trabalho ou em ocasiões mais formais.
Quando o movimento de liberação da mulher estava alcançando um nível de massa crítico, e o estilo unissex estava no auge, costureiros como Pierre Cardin e André Courrèges criavam ternos tanto para ele quanto para ela.
Rudi Gernreich, sempre um incentivador da moda envelope, deu um passo à frente ao fazer com que modelos masculinos e femininos vestidos identicamente raspassem as cabeças (inclusive essas peças total unissex está voltando).

Curiosidade: O terno masculino, do qual foi criado o tailleur feminino e depois o terninho (com suas devidas adaptações), surgiu no final do século XVIII. 


Terno masculino do século XVIII (1785-1790).

Resumindo: na linguagem da moda, o terninho é sinônimo de posição social elevada; ele é o uniforme da autoridade, que se originou do vestuário masculino, como muitas outras roupas de mulheres, como o uso das ombreiras em blazers na década de 80 (visto que as mulheres precisavam ter uma silhueta masculina, já que estavam ingressando no mercado de trabalho, as ombreiras funcionavam como uma espécie de armadura e lhes configurava força e poder).



Estilistas do mundo inteiro reinventam o terninho, porém ele nunca perde suas referências de status e poder. Um conjunto como esses, que sai do guarda roupa masculino, é duplamente provocativo: sugere tanto a influência direta do terno tradicional como as implicações eróticas de uma mulher.


As mulheres que fizeram do terninho o seu emblema – Marlene Dietrich , Katharine Hepburn, Françoise Hardy, Bianca Jagger – são sem sombra de dúvida, sensuais, porem de forma discreta.

Bianca Jagger

O terninho foi sem dúvida o mais revolucionário avanço da moda, nele uma mulher poderia ser tanto uma sereia como uma mulher de negócios – uma combinação que se destacou numa famosa campanha publicitária dos anos 70, feita para o perfume Charlie da Revlon, os anúncios focalizavam mulheres vestindo ternos YSL, atravessando com passadas largas uma cidade que estava preste a cair em suas mãos.


O Le Smoking na década de 60 (1966) por Yves Saint Laurent e Gabrielle “Coco” Chanel.

Estilistas como: Helmut Lang e Nicolas Ghesquiére (que em geral criam para homens, mas que as mulheres chiques preferem) fazem terninhos que combinam com a imagem que as mulheres querem ter hoje em dia: bem tratadas, capazes e confiantemente sensuais.



A primeira mulher a aderir aos looks masculinos foi a atriz Marlene Dietrich – pode-se dizer que ela foi um ícone neste quesito. Em 1920, causou frisson quando apareceu em público de calça.
Uma década depois, em 1930, Marlene escandalizou o cinema e o mundo em um modelo de terno e gravata para o filme Morocco, de Josef Von Sternberg. O look tipicamente masculino gerou certo desconforto no público.


Marlene Dietrich

A partir daí a febre não parou mais. Na década de 50, a forte influência do rock levou ao guarda roupa delas as famosas calças cigarrete (mais justas) e claro, as jeans (esse tema fica para outro dia).

Portanto, a relação entre mulher e a alfaiataria é um grande marco da história do vestuário no século 20. 



E toda essa aula incrível de história do vestuário eu tirei do blog FashionBubbles.

Como vocês sabem (eu acho rsr) eu curso Direito, o curso por si só já fala muito né, mas não, eu não ando de blazer na facul, no máximo de camisete. Mas nos eventos sim!
E meu primeiro blazer ou terninho, eu ganhei há menos de um ano. Hoje tenho quatro, um liso, um jeans e dois estampados, e digo para vocês, muda completamente a visão geral do look. Você se sente mais poderosa, mais phyna, mais mulher! É incrível! E me arrependo de não ter investido nessa peça antes. Pois a mistura, tanto do blazer, como de qualquer outra peça de alfaiataria, com peças mais casuais dá um resultado muito bom.



As peças de alfaiataria tem um shape definitivamente atemporal!
Desde que a Chanel lançou, virou sinônimo de elegância, sofrendo apenas algumas adaptações, principalmente quando o assunto é o clima de onde você habita.


Desfile da grife italiana, Empório Armani, na Semana de Moda em Milão.


Aí vai algumas dicas:


 O ideal é dar preferencia para calças não muito justas e nem muito largas.



 Normalmente elas são feitas com tecidos nobres muito finos e podem marcar.


 As camisetes são super indicadas para usar com as calças de alfaiataria.



 Peças bem cortadas e de bom caimento fazem toda a diferença. E com isso, não estou dizendo para você comprar uma peça da Chanel, não! Apenas uma peça boa, que vai durar muito.




 O mais comum é usar com uma sandália ou scarpin, mas que tal apostar num tênis?



 Usar um shorts com cortes retos, dá um ar super feminino.



 E as cores? Tem coisa mais feminina que apostar em cores super poderosas?



Trouxe agora algumas coleções de marcas conhecidas que já desfilaram seus cortes retos.

MULBERRY

CHANEL

 GUCCI


 HELMUT LANG


RALPH LAUREN

THOM BROWNE

No Stardoll, temos uma pequena variedade de peças de alfaiataria, ou inspiradas nelas.



Fiz algumas combinações de peças.

E de looks.

Por fim, montei looks na minha doll.

O primeiro deles é um conjutinho de bermuda + blazer na cor pink. Deixei o vintage na bolsa, uma camisa com gola e umas listras na vertical para dar aquela emagrecida e um chinelinho bem moderninho.
O segundo é bem simples e já veio pronto. Uma macaquinho com os cortes das peças em alfaiataria. Complementei o look com peças bem vintages.
O terceiro, é basicamente um blazer e uma calça, todos os dois nos cortes retos, e pra quebrar uma possível formalidade, coloquei uma jaqueta cheia de aplicações.
O quarto é um colete (sozinho) e uma bermuda de alfaiataria, com uns complementos bem moderninhos, mas ainda assim, clássicos.
E por último, camisa de gola, saia próxima ao corpo, mocassim e blazer.


Então é isso!
Espero que tenham gostado da TREND ALERT desse mês. Deu muito trabalho, mas valeu a pena!
Me contem aí o que acharam, beijos!



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